sábado, 2 de maio de 2026

O RETRATO NA MÃO DE DEUS

Quando eu estava no leito, De olhos fechados pro mundo, Tinha Alguém de olhos abertos; Velando por mim. Enquanto a Jô segurava minha mão aqui, Jesus segurava meu retrato lá. Com o mesmo carinho, De quem não desiste de um filho. Eu, de camisa do Ceará, Sorriso cansado na cama. Ele, com manto de amor, Dizendo pro céu: Esse aqui volta. Ainda tem jogo pra ele. Ainda tem Jô pra amar. Ainda tem Fernanda pra ver nascer. Oito meses Ele me olhou; Naquele retrato. Oito meses Ele falou: Calma, meu menino. O goleiro não tomou gol. O garapeiro ainda tem sede pra matar. O homem do SESC ainda tem gente pra servir. E eu voltei. Porque retrato na mão de Jesus; Não fica esquecido na gaveta. Vira testemunho. Vira 46 anos de casamento. Vira neta, vira vida. Hoje eu sei: Quando todo mundo disse que era o fim, Tinha um Carpinteiro, Emoldurando meu recomeço. Com lágrimas nos olhos e fé no coração,  

Fernando Freire.

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